Criança hiperativa: entendendo os sinais e formas de apoio
Distinguir entre uma criança hiperativa, uma criança naturalmente…
28 de novembro de 2025
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A fobia na infância pode aparecer em situações que, para muitos adultos, parecem simples: apagar a luz do quarto, entrar em um ambiente escuro, ficar longe dos pais por alguns minutos, ver um animal ou enfrentar uma situação nova. A diferença entre um medo comum e uma fobia está na intensidade, na persistência e no impacto que essa reação causa na rotina da criança.
O medo faz parte do desenvolvimento infantil. Crianças pequenas ainda estão aprendendo a interpretar o ambiente, diferenciar riscos reais de ameaças imaginadas e lidar com sensações de insegurança. Em muitas fases, é esperado que demonstrem receio diante do escuro, de barulhos, de pessoas desconhecidas ou de separações temporárias dos responsáveis.
A fobia, porém, exige outro olhar. Ela envolve uma resposta de ansiedade intensa, muitas vezes desproporcional ao risco real. A criança pode chorar, tremer, suar, sentir falta de ar, recusar-se a entrar em determinado lugar ou evitar qualquer situação associada ao medo. Quando isso passa a interferir no sono, na convivência, na autonomia ou na participação escolar, o sinal de atenção se torna mais claro.
Diferença entre medo comum e fobia
Nem todo medo infantil indica um transtorno. O medo do escuro, por exemplo, costuma surgir por volta dos três anos e tende a diminuir com o amadurecimento emocional. Nessa fase, a imaginação está muito ativa, e a ausência de luz pode aumentar a sensação de insegurança.
A nictofobia, nome dado ao medo intenso e persistente do escuro, é diferente. Nesse caso, a criança pode apresentar pânico diante da possibilidade de ficar em um ambiente sem luz, mesmo quando há adultos próximos ou quando ela sabe que está em segurança. A reação pode envolver sintomas físicos e comportamentos de evitação, como não dormir sozinha, exigir luz acesa durante toda a noite ou resistir a qualquer mudança na rotina do sono.
Educadores do Colégio Anglo Itapetininga, de Itapetininga (SP), observam que a distinção entre medo e fobia depende da frequência, da intensidade e dos prejuízos causados no cotidiano: “O adulto precisa observar se a criança consegue se acalmar com apoio ou se o medo se mantém de forma intensa, repetida e limitante”.
Essa diferenciação é importante porque respostas inadequadas podem piorar o quadro. Minimizar o medo, ridicularizar a criança ou forçá-la a enfrentar a situação de forma brusca tende a aumentar a ansiedade. O acompanhamento cuidadoso ajuda a entender se a reação faz parte de uma etapa do desenvolvimento ou se exige apoio mais específico.
Sinais que merecem observação
A fobia pode se manifestar de várias formas. Em crianças menores, é comum que apareça por meio de choro intenso, recusa, apego excessivo ao adulto, dificuldade para dormir ou queixas físicas antes de enfrentar a situação temida. Em crianças maiores, podem surgir justificativas repetidas para evitar lugares, atividades ou experiências associadas ao medo.
No caso do escuro, os sinais incluem necessidade constante de luz acesa, medo de permanecer no quarto, dificuldade para adormecer sem companhia, despertares frequentes e ansiedade antecipatória no fim do dia. A criança pode começar a demonstrar tensão antes mesmo da hora de dormir, porque já espera passar por uma situação desconfortável.
Também é importante observar se o medo limita atividades. Uma criança que deixa de participar de passeios, brincadeiras, apresentações ou momentos escolares por causa de uma reação intensa pode precisar de ajuda. O mesmo vale quando o medo gera sofrimento frequente para a família, altera a rotina doméstica ou provoca conflitos constantes.
A conversa com a criança deve ser feita sem julgamento. Perguntas simples ajudam a entender o que ela sente, o que imagina que pode acontecer e quais situações aumentam a ansiedade. O objetivo não é confirmar a existência de um perigo, mas compreender como a criança interpreta aquela experiência.
Como os adultos podem agir
O primeiro cuidado é validar o sentimento sem reforçar a ideia de ameaça. Dizer que o medo “não existe” ou que a criança “já está grande para isso” costuma ter pouco efeito. Uma abordagem mais adequada é reconhecer que ela está assustada e, ao mesmo tempo, ajudá-la a perceber que está segura.
No medo do escuro, por exemplo, a transição gradual pode ajudar. Manter uma luz noturna, deixar a porta entreaberta, combinar uma rotina previsível antes de dormir e reduzir estímulos assustadores no período da noite são medidas que favorecem segurança. Aos poucos, a criança pode ser incentivada a tolerar ambientes com menos luz, sempre com apoio e sem exposição repentina.
A previsibilidade também contribui. Quando a criança sabe o que vai acontecer, quem estará por perto e qual será o próximo passo, tende a se organizar melhor emocionalmente. Isso vale para a rotina do sono, para situações escolares e para outras experiências que provocam medo.
Segundo os educadores do Colégio Anglo Itapetininga, o enfrentamento precisa respeitar o ritmo da criança. “A orientação deve combinar acolhimento e pequenos avanços, para que a criança perceba que consegue enfrentar a situação sem ser colocada sob pressão excessiva”, avaliam.
O papel da escola e da família
Família e escola podem trocar informações para identificar padrões. Um medo que aparece apenas em casa pode estar ligado à rotina doméstica, ao sono ou a experiências específicas daquele ambiente. Quando a reação também ocorre na escola, é possível avaliar se há impacto na convivência, na participação em atividades ou na autonomia.
Na escola, educadores podem observar como a criança reage a mudanças, separações, espaços fechados, barulhos, atividades coletivas ou momentos de exposição. Essa observação não tem função diagnóstica, mas ajuda a orientar a família sobre sinais persistentes.
Em casa, pais e responsáveis devem evitar punições relacionadas ao medo. Obrigar a criança a apagar a luz, deixá-la sozinha no escuro sem preparo ou comparar seu comportamento com o de irmãos e colegas pode aumentar a sensação de incapacidade. A resposta mais adequada envolve rotina, diálogo, paciência e limites possíveis.
O encaminhamento profissional deve ser considerado quando a fobia persiste, causa sofrimento intenso ou compromete atividades importantes. Psicólogos podem ajudar a criança a compreender o medo e desenvolver estratégias de enfrentamento. Em muitos casos, a terapia cognitivo-comportamental é utilizada para trabalhar pensamentos, reações físicas e comportamentos de evitação.
Atenção aos impactos na rotina
Quando não recebe acompanhamento adequado, a fobia pode afetar sono, humor, concentração, rendimento escolar e convivência familiar. A criança que dorme mal tende a ficar mais irritada, cansada e menos disponível para aprender. A que evita determinadas situações pode perder oportunidades de socialização e autonomia.
O cuidado, portanto, deve começar pela observação concreta da rotina. Frequência, intensidade, duração e prejuízo são elementos importantes para orientar a resposta dos adultos. Medos passageiros podem ser manejados com apoio e organização. Reações persistentes e limitantes exigem atenção maior.
A família não precisa transformar cada medo em motivo de alarme, mas também não deve ignorar sinais que se repetem. Quando adultos escutam, orientam e buscam ajuda no momento adequado, a criança tem mais condições de enfrentar gradualmente a situação que provoca ansiedade e retomar atividades importantes para seu desenvolvimento.
Para saber mais sobre o assunto, visite:
https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Comportamento/noticia/2021/08/o-que-e-nictofobia-5-pontos-para-entender-o-medo-do-escuro.html
e https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2013/09/seu-filho-tem-medo-do-escuro.html
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