30 de outubro de 2026

Quando a autoestima interfere na rotina

Recusar convites por receio de não ser aceito, deixar de participar da aula por medo de errar e desqualificar as próprias conquistas podem indicar dificuldades com a autoestima na adolescência. Esses comportamentos merecem atenção quando se repetem e começam a limitar a convivência, os estudos ou a participação em atividades antes apreciadas.

Uma reação isolada, porém, não permite concluir que o jovem tenha uma visão negativa de si mesmo. A vergonha diante de uma apresentação ou a frustração após uma nota baixa precisam ser compreendidas no contexto em que ocorreram. O que ajuda a família e a escola a reconhecer uma dificuldade é observar a frequência, a intensidade e os efeitos dessas reações no cotidiano.

“É importante perceber quando o adolescente passa a evitar situações porque acredita, antecipadamente, que não será capaz ou que será rejeitado”, observam os educadores do Colégio Anglo Itapetininga, de Itapetininga (SP).

Autocrítica frequente e dificuldade de reconhecer conquistas

A maneira como o adolescente fala sobre si pode revelar inseguranças que nem sempre aparecem em uma conversa direta. Expressões como “não faço nada direito” e “todo mundo é melhor do que eu”, quando recorrentes, mostram uma avaliação que transforma dificuldades específicas em julgamentos sobre a própria capacidade.

Há diferença entre reconhecer que não compreendeu um conteúdo e concluir que é incapaz de aprender. No primeiro caso, o jovem identifica um problema que pode ser trabalhado. No segundo, desconsidera suas possibilidades de progresso e pode desistir antes de tentar novamente.

Também merece atenção a dificuldade persistente de reconhecer o próprio mérito. Mesmo diante de um resultado positivo, o adolescente pode atribuí-lo exclusivamente à sorte, minimizar o esforço realizado ou afirmar que qualquer colega teria feito melhor.

Comparações frequentes com outras pessoas, envolvendo aparência, notas ou popularidade, podem acompanhar esse comportamento. Cabe aos adultos procurar entender o que provoca o sentimento de inferioridade, sem reforçar a comparação nem responder com elogios automáticos que pouco dialogam com a situação relatada.

Medo de errar pode reduzir a participação

Na escola, a insegurança pode aparecer quando o aluno deixa de fazer perguntas para não demonstrar uma dúvida, evita apresentar trabalhos ou se recusa a participar de atividades nas quais seu desempenho será observado. O receio da avaliação dos colegas pode restringir oportunidades de aprender e de conviver.

A busca constante por aprovação também merece ser observada. Alguns adolescentes precisam confirmar repetidamente se fizeram uma tarefa corretamente ou deixam de expressar opiniões por medo de desagradar. Uma correção pontual pode ser interpretada como sinal de que decepcionaram o professor ou a família.

Esse quadro não aparece necessariamente nas notas. Um estudante com bom rendimento também pode sofrer com autocrítica intensa, cobrar de si resultados sempre elevados e reagir a pequenos erros como se eles anulassem tudo o que já conseguiu.

Por outro lado, dificuldades acadêmicas não devem ser atribuídas automaticamente à baixa autoestima. É necessário compreender o conteúdo em que surgiram, as condições de estudo e outros acontecimentos da rotina. A relação entre aprendizagem e confiança exige uma avaliação cuidadosa de cada situação.

Mudanças na convivência precisam ser compreendidas

O afastamento dos amigos, a recusa frequente de convites e o abandono de atividades antes apreciadas são mudanças que justificam uma aproximação dos adultos. O ponto de partida deve ser o comportamento habitual daquele adolescente, e não a comparação com irmãos ou colegas mais comunicativos.

Gostar de ficar sozinho em alguns momentos ou preferir grupos pequenos não significa, por si só, ter baixa autoestima. A preocupação aumenta quando o jovem deseja participar, mas evita o contato por acreditar que será ridicularizado, rejeitado ou considerado inferior.

Irritação diante de comentários, dificuldade para receber críticas e reações defensivas também podem acompanhar inseguranças. Esses comportamentos, entretanto, têm diferentes explicações e precisam ser investigados com diálogo, sem rótulos.

Uma conversa reservada permite perguntar se houve algum constrangimento, conflito ou mudança nas relações. Relatos de humilhação e exclusão devem ser levados a sério. Quando envolvem o ambiente escolar, família e equipe pedagógica precisam compartilhar informações para compreender o ocorrido e definir as providências necessárias.

Como conversar e oferecer apoio

A abordagem pode começar por uma observação concreta: dizer que percebeu a desistência de uma atividade ou o afastamento de um grupo e perguntar como o adolescente tem se sentido. Isso costuma oferecer mais espaço para a conversa do que afirmar que ele está inseguro ou exigir uma explicação imediata.

Os educadores do Colégio Anglo Itapetininga destacam que o reconhecimento precisa ser específico: “Mostrar o que o aluno conseguiu fazer, como se preparou e em que avançou ajuda a construir uma avaliação mais equilibrada das próprias capacidades.”

Em casa e na escola, é importante corrigir comportamentos sem desqualificar a pessoa. Uma tarefa incompleta exige orientação sobre o que falta fazer, sem comentários que definam o jovem como preguiçoso ou incapaz. Dar espaço para escolhas e responsabilidades adequadas à idade também permite que ele exercite autonomia.

Se a autodepreciação persistir, provocar sofrimento ou comprometer estudos e relações, a família deve buscar orientação profissional. Para essa conversa, ajudam informações concretas sobre quando as mudanças começaram, em quais situações aparecem e o que o adolescente deixou de fazer. A observação de familiares e professores pode contribuir para compreender a dificuldade e organizar o apoio necessário.

Para saber mais sobre o assunto, visite:

https://finiciativa.org.br/a-importancia-da-autoestima-para-criancas-e-adolescentes/