Desfralde: autonomia e desenvolvimento infantil
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2 de janeiro de 2026
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Cerca de 75% dos estudantes brasileiros relatam dificuldade com matemática ao longo da escolarização, segundo dados levantados por pesquisas da área de educação básica. Esse número não vem do acaso. Muito dele tem raiz em como as atividades de matemática são apresentadas desde os anos iniciais: como algo desconectado da realidade, difícil por definição e punidor em caso de erro. Mudar essa relação exige uma abordagem diferente, que começa com a forma como a disciplina é vivenciada no cotidiano.
Frações, porcentagens e proporções já estão presentes no dia a dia de toda criança, mesmo sem que ela perceba. Calcular o troco de uma compra, dividir um chocolate entre amigos ou perceber que metade do suco acabou são situações que envolvem raciocínio matemático. Quando atividades de matemática partem desses contextos, a aprendizagem ganha um significado que exercícios repetitivos não conseguem oferecer.
Ensinar porcentagem a partir de situações de compras com desconto ou trabalhar frações usando receitas culinárias são exemplos de como o conteúdo pode ser apresentado de forma mais concreta. Pesquisadores na área de educação matemática argumentam que contextualizar o conteúdo na realidade do estudante aumenta tanto a retenção quanto o engajamento com a disciplina. Estudos da área mostram que crianças que aprendem conceitos matemáticos vinculados a situações reais retêm essa informação por mais tempo do que aquelas que trabalham apenas com problemas abstratos.
Jogos e desafios mudam a relação com a matemática
Jogos educativos funcionam como uma porta de entrada para estudantes que já desenvolveram aversão à matemática. Sudoku, enigmas lógicos e jogos de tabuleiro que envolvam estratégia e cálculo mental são exemplos que desafiam o raciocínio sem criar a pressão típica de uma prova ou exercícios tradicionais. Uma pesquisa publicada no Journal for Research in Mathematics Education confirmou que atividades lúdicas melhoram o desempenho dos estudantes em matemática e contribuem para o desenvolvimento de habilidades como memória e autocontrole.
“Quando o aluno joga e precisa tomar decisões rápidas, ele trabalha habilidades matemáticas sem mesmo ter consciência disso”, observam educadores do Colégio Anglo Itapetininga. Gincanas matemáticas e situações-problema criadas a partir de cenários reais também cumprem esse papel, tornando o desafio um elemento motivador em vez de ameaçador.
O papel da família no aprendizado
A relação com a matemática não se constrói só dentro da sala de aula. Em casa, pequenas práticas cotidianas já contribuem para fortalecer esse vínculo. Pedir que a criança ajude a montar um cardápio semanal respeitando um orçamento, calcular a duração de uma viagem ou mesmo planejar a divisão de tarefas domésticas são atividades que envolvem raciocínio matemático de forma natural.
“O ambiente familiar exerce um papel fundamental na criação de uma relação positiva com a matemática. Quando os pais mostram que os números estão presentes no cotidiano, a criança passa a enxergar a disciplina de outro ângulo”, ressaltam os educadores do colégio. Não é necessário que os pais sejam especialistas em matemática para fazer isso. O que importa é criar oportunidades para que a criança use esse raciocínio de forma espontânea.
Os erros como parte do caminho
Uma das maiores barreiras na relação de estudantes com a matemática é o medo de errar. Muitas crianças crescem com a crença de que uma única resposta errada significa falha total. Essa mentalidade bloqueia a curiosidade e reduz a disposição para tentar.
Pesquisas no campo da educação matemática mostram que valorizar o processo de pensamento, e não apenas o resultado final, transforma a forma como os estudantes encaram os desafios. Quando um aluno é incentivado a explicar como chegou a uma resposta, mesmo que ela esteja errada, ele desenvolve raciocínio mais robusto do que simplesmente memorizando fórmulas. O erro passa a ser um dado útil para aprender, não um motivo de vergonha.
Essa abordagem, conhecida como “mentalidades matemáticas”, ganha força em pesquisas realizadas por instituições como a Stanford University, nos Estados Unidos. A ideia central é que todos são capazes de aprender matemática se tiverem a oportunidade de explorar, errar e refletir sem pressão excessiva. Em sala de aula, isso se traduz em atividades abertas, onde não existe apenas uma única resposta correta, e onde o aluno é o protagonista do seu próprio raciocínio.
Tecnologia como ferramenta, não substituta
Aplicativos educacionais, plataformas online e até programação básica já são usados em sala de aula para tornar as atividades de matemática mais interativas. Robótica educacional e lógica computacional são exemplos de áreas que combinam raciocínio matemático com criatividade e resolução de problemas práticos.
A tecnologia amplia as possibilidades, especialmente para estudantes que não respondem bem aos métodos tradicionais. Aplicativos que gamificam o aprendizado, por exemplo, criam desafios progressivos que mantêm o estudante ativo e engajado. Programas de robótica educacional também ganham espaço por combinarem raciocínio lógico com criatividade física, permitindo que o aluno veja o resultado do seu pensamento matemático de forma tangível. Ainda assim, o uso da tecnologia funciona melhor quando é complementar ao ensinamento presencial, e não como substituto direto da interação com o professor.
De matemática básica até o Enem
Estudar matemática com engajamento desde cedo produz efeitos que se prolongam por toda a escolarização. Estudantes que desenvolveram uma relação positiva com atividades de matemática ainda nos anos iniciais chegam ao ensino médio com maior capacidade de raciocínio lógico e mais disposição para enfrentar desafios como o Enem.
O exame nacional cobra não apenas fórmulas decoradas, mas a capacidade de aplicar conceitos em situações práticas. Estatística, geometria, probabilidade e funções são áreas que exigem compreensão real dos conceitos, não apenas memorização.
Dados históricos do Enem mostram que questões que envolvem dados de gráficos, situações do cotidiano e raciocínio espacial são as mais frequentes na prova de matemática. Justamente por isso, construir esse alicerce desde cedo faz toda a diferença para o desempenho futuro dos estudantes. Atividades de matemática bem planejadas, que combinam contexto real, curiosidade e espaço para errar, são o caminho mais seguro para chegar lá.
Para saber mais sobre atividades de matemática, visite https://www.matific.com/bra/pt-br/home/blog/2021/07/05/como-desenvolver-o-racioc%C3%ADnio-logico-matematico-dos-alunos/ e https://www.todamateria.com.br/matematica-no-enem/
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