20 de fevereiro de 2026

Profissões do futuro e como se preparar desde já

Segundo o relatório “The Future of Jobs” do Fórum Econômico Mundial, mais de 85 milhões de empregos serão substituídos por automação até 2025 — mas, ao mesmo tempo, cerca de 97 milhões de novas funções devem surgir. O desafio para estudantes e famílias é entender quais profissões do futuro têm mais perspectiva e o que fazer, desde agora, para se posicionar bem nesse mercado.

A boa notícia é que a preparação começa muito antes da faculdade. As escolhas feitas durante o ensino médio — e até antes — já podem abrir ou fechar portas nas carreiras que mais vão crescer nas próximas décadas.

As áreas com maior demanda

Tecnologia da informação lidera as projeções de crescimento. Especialistas em inteligência artificial, cientistas de dados, engenheiros de computação em nuvem e analistas de segurança da informação estão entre os perfis mais procurados por empresas de todos os setores. Não são funções restritas a empresas de tecnologia: bancos, hospitais, indústrias e até órgãos públicos buscam esses profissionais.

Sustentabilidade é outro campo em expansão acelerada. Engenheiros de energia renovável e especialistas em gestão ambiental são cada vez mais necessários à medida que empresas e governos assumem compromissos climáticos concretos. No Brasil, com a transição energética em curso e a pressão por práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), essa área deve crescer de forma consistente nos próximos anos.

Saúde, marketing digital e agronegócio tecnológico também aparecem com força nas projeções. Profissionais que combinam conhecimento técnico da área com domínio de dados e ferramentas digitais têm vantagem competitiva clara — seja na medicina, no agro de precisão ou nas estratégias de crescimento digital.

O que os educadores observam

“A grande mudança não é só no conteúdo das profissões, mas no perfil de quem vai ocupá-las”, afirmam educadores do Colégio Anglo Itapetininga. “O estudante que aprende a aprender, que se adapta e que sabe trabalhar com incerteza está na frente — independentemente da área que escolher.”

Essa observação reflete o que o mercado confirma: habilidades técnicas são necessárias, mas não suficientes. As chamadas soft skills — competências comportamentais como pensamento crítico, inteligência emocional, capacidade de comunicação e resiliência — são cada vez mais valorizadas pelos empregadores.

Uma pesquisa do LinkedIn apontou que 92% dos recrutadores consideram soft skills tão importantes quanto habilidades técnicas, e 89% relataram que contratações malsucedidas se devem principalmente à falta dessas competências. Saber programar ou analisar dados conta muito — mas saber trabalhar em equipe, comunicar ideias com clareza e lidar com pressão conta igualmente.

Habilidades técnicas: por onde começar

Para quem quer se preparar para as profissões do futuro ainda durante a vida escolar, o caminho passa por uma combinação de formação técnica e desenvolvimento pessoal.

Na área de tecnologia, cursos introdutórios de programação, lógica computacional e ciência de dados estão disponíveis em plataformas acessíveis e gratuitas. Conhecer os fundamentos de linguagens como Python — usada tanto em inteligência artificial quanto em análise de dados — é um diferencial que pode ser construído desde o ensino médio.

Para sustentabilidade, o interesse por ciências ambientais, química e física aplicada forma a base. Acompanhar debates sobre transição energética, economia circular e impacto ambiental também contribui para desenvolver o vocabulário e o raciocínio que o setor exige.

No marketing digital, entender como funcionam redes sociais, mecanismos de busca e comportamento do consumidor online é um ponto de partida acessível. Cursos de SEO, análise de métricas e criação de conteúdo são relativamente curtos e têm aplicação imediata.

Soft skills não se desenvolvem em cursos

Pensamento crítico, liderança, empatia e flexibilidade não se ensinam com uma certificação — se desenvolvem na prática. Projetos em grupo, participação em competições acadêmicas, voluntariado, atividades extracurriculares e até esportes coletivos contribuem para formar esse repertório.

“Estudante que só estuda para a prova está se preparando para o passado”, reforçam os educadores do Anglo Itapetininga. “O mercado quer alguém que resolva problemas que ainda não existem, e isso exige curiosidade, autonomia e disposição para errar e tentar de novo.”

A inteligência emocional merece atenção especial. Ambientes de trabalho nas profissões do futuro tendem a ser mais colaborativos, mais ágeis e mais sujeitos a mudanças rápidas. Profissionais que conseguem gerenciar suas próprias emoções, se comunicar com clareza em situações de conflito e manter o foco sob pressão têm desempenho mais consistente.

O papel da família nesse processo

Pais e responsáveis têm influência direta na forma como os jovens encaram o futuro profissional. Conversas abertas sobre o mercado de trabalho, valorização do aprendizado contínuo e apoio para explorar diferentes áreas de interesse fazem diferença.

Evitar pressão por escolhas precoces e definitivas também é importante. O jovem que teve contato com diferentes áreas do conhecimento — ciências, artes, tecnologia, humanidades — chega ao momento da escolha profissional com mais repertório e mais segurança.

Estimular a leitura de notícias sobre tendências tecnológicas, incentivar projetos pessoais e criar oportunidades de contato com profissionais de diferentes áreas são formas concretas de ampliar o horizonte dos estudantes sem sobrecarregá-los.

A preparação começa agora

As profissões do futuro não exigem que o estudante saiba hoje exatamente o que quer ser. Exigem que ele construa uma base sólida: raciocínio lógico, capacidade de comunicação, curiosidade intelectual, familiaridade com tecnologia e disposição para aprender continuamente.

Essas competências não são exclusivas de nenhuma área — são o alicerce de qualquer trajetória profissional relevante nas próximas décadas. E o melhor momento para começar a construí-las é durante a vida escolar, quando o espaço para experimentar, errar e se desenvolver ainda é amplo e protegido.

Para saber mais sobre profissões do futuro, visite https://www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/quais-sao-as-profissoes-do-futuro-descubra,fd37aa545c17880c94264175bac27f39c3cjk2l6.html e https://www.sp.senac.br/blog/artigo/profissoes-do-futuro