18 de setembro de 2026

Redes sociais: riscos para adolescentes e como orientar

As redes sociais fazem parte da rotina de muitos adolescentes, mas o uso frequente ou sem limites pode interferir no sono, na concentração, nos estudos e nas relações pessoais. A exposição excessiva também aumenta o contato com situações como cyberbullying, comparação social, conteúdos inadequados e compartilhamento indevido de informações pessoais.

Plataformas como Instagram, TikTok e outras redes permitem conversar com amigos, acompanhar assuntos de interesse e produzir conteúdos. O problema aparece quando o tempo conectado ocupa espaço de atividades importantes ou quando o adolescente ainda não consegue avaliar adequadamente os riscos envolvidos em determinada publicação, conversa ou interação.

O impacto pode ocorrer de maneiras diferentes conforme a idade, o comportamento do jovem e a forma como as plataformas são utilizadas. Por isso, observar hábitos e manter diálogo sobre o ambiente digital é uma tarefa importante para famílias e educadores.

Excesso de uso pode prejudicar sono e concentração

Um dos problemas mais comuns é a quantidade de tempo dedicada às redes sociais. Notificações frequentes, vídeos curtos e a atualização constante dos conteúdos estimulam o usuário a permanecer conectado e a verificar o celular repetidamente.

Quando esse comportamento ocorre durante os estudos, pode dificultar a manutenção da atenção. Interromper uma atividade para conferir mensagens ou publicações exige que o estudante retome várias vezes o raciocínio, o que pode comprometer a produtividade e aumentar o tempo necessário para concluir uma tarefa.

O uso durante a noite também merece atenção. Permanecer conectado até tarde reduz o período disponível para dormir e pode provocar cansaço no dia seguinte, com reflexos na disposição e na capacidade de concentração. “É importante observar quando o uso das redes começa a interferir em atividades básicas da rotina, como dormir, estudar, praticar outras atividades e conviver com a família”, destacam os educadores do Colégio Anglo Itapetininga, de Itapetininga (SP).

Comparações e exposição podem provocar desconforto

As redes apresentam uma seleção de momentos da vida de outras pessoas, geralmente com destaque para viagens, festas, conquistas, aparência e experiências consideradas positivas. Para o adolescente, que ainda está construindo sua identidade e sua percepção sobre si mesmo, a comparação constante pode gerar insatisfação.

Número de seguidores, curtidas e comentários também pode assumir importância excessiva. Quando a aprovação recebida nas plataformas passa a influenciar intensamente a autoestima, uma publicação com pouca repercussão ou um comentário negativo pode causar frustração e insegurança.

Há ainda o risco da exposição exagerada. Fotografias, vídeos e informações sobre rotina, localização, escola ou lugares frequentados podem alcançar pessoas que não pertencem ao círculo de convivência do jovem.

O conteúdo publicado também pode permanecer disponível mesmo depois de apagado, caso tenha sido copiado ou compartilhado por outras pessoas. Por isso, adolescentes precisam compreender que uma postagem feita rapidamente pode produzir consequências posteriores.

Cyberbullying exige atenção de adultos

Ofensas, humilhações e perseguições também podem ocorrer no ambiente digital. O cyberbullying apresenta uma característica que amplia o problema: a agressão pode alcançar rapidamente grande número de pessoas e continuar circulando mesmo fora do período escolar.

Mensagens ofensivas, montagens de imagens, divulgação de informações particulares e exclusão intencional de grupos virtuais estão entre situações que podem causar sofrimento ao adolescente.

Mudanças repentinas de comportamento podem indicar que algo está errado. Evitar o celular depois de utilizá-lo com frequência, demonstrar preocupação excessiva ao receber mensagens, afastar-se de amigos ou apresentar alterações no rendimento escolar são comportamentos que merecem ser observados dentro do contexto de cada jovem.

Nessas situações, a reação dos adultos precisa favorecer a conversa. O medo de perder o celular ou de sofrer uma punição pode levar o adolescente a esconder um problema. “Quando o jovem relata uma situação desagradável ocorrida na internet, o primeiro passo é ouvir e compreender o que aconteceu. O diálogo facilita a orientação e ajuda a avaliar quais medidas precisam ser tomadas”, explicam os educadores do colégio.

Privacidade também precisa ser ensinada

Adolescentes podem compartilhar informações sem perceber que determinados dados facilitam sua identificação ou revelam detalhes da rotina. Fotografias diante de casa, localização em tempo real e informações sobre horários e lugares frequentados são exemplos que exigem cuidado.

Configurações de privacidade ajudam a limitar quem pode visualizar determinadas publicações, mas não eliminam completamente os riscos. Mesmo em perfis fechados, conteúdos podem ser reproduzidos por outras pessoas.

Outro ponto importante é o contato com desconhecidos. Um perfil não garante que a pessoa seja quem afirma ser. Por isso, pedidos de fotografias, informações pessoais ou encontros presenciais feitos por pessoas conhecidas apenas pela internet devem ser tratados com cautela.

A orientação sobre segurança digital deve ocorrer antes que apareça um problema. Conversar sobre o que pode ser publicado, quais informações devem permanecer privadas e como agir diante de uma abordagem suspeita contribui para que o adolescente reconheça situações de risco.

Diálogo ajuda a estabelecer limites

Proibir totalmente o acesso às redes sociais pode ser difícil de sustentar e não ensina, por si só, como utilizar essas ferramentas de maneira responsável. Estabelecer limites compatíveis com a idade e explicar os motivos das regras tende a oferecer ao adolescente referências mais claras.

A família pode observar quanto tempo é dedicado às redes e se esse uso está substituindo sono, estudos, atividade física, lazer ou convivência presencial. Também é importante que os próprios adultos avaliem o exemplo dado pelo uso do celular em casa.

Na escola, questões relacionadas ao ambiente digital podem aparecer em conflitos entre estudantes, dificuldades de concentração ou situações iniciadas fora do espaço escolar e que acabam interferindo na convivência.

O uso das redes sociais não apresenta os mesmos efeitos para todos os adolescentes. A atenção deve se concentrar especialmente em mudanças de comportamento e na interferência concreta sobre a rotina. Quando sono, estudos, relações sociais ou bem-estar começam a ser prejudicados de forma persistente, família e escola precisam compreender o que está ocorrendo e avaliar a necessidade de outras formas de orientação e acompanhamento.

Para saber mais sobre o assunto, visite: 

https://veja.abril.com.br/saude/novos-estudos-revelam-os-graves-impactos-do-uso-de-celulares-por-criancas

https://www.oficinadanet.com.br/post/18285-vantagens-e-desvantagens-das-redes-sociais