Saúde mental nas escolas: desafios e soluções
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Distinguir entre uma criança hiperativa, uma criança naturalmente agitada e uma criança indisciplinada é essencial para um diagnóstico preciso e para oferecer o suporte adequado. A hiperatividade é uma condição neurológica persistente que se manifesta em múltiplos ambientes, enquanto a agitação isolada pode ser um comportamento típico de crianças energéticas. Para identificar a hiperatividade, é necessário observar se a criança apresenta sintomas combinados que afetam significativamente seu desempenho acadêmico, social e cotidiano.
A hiperatividade é um distúrbio de neurodesenvolvimento que afeta áreas do cérebro responsáveis pela atenção, percepção, aprendizagem e interação social. Essa condição pode surgir de forma isolada ou estar associada a outro transtorno, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, conhecido como TDAH. As causas da hiperatividade não são completamente compreendidas, mas fatores genéticos e ambientais desempenham um papel significativo.
Fatores que podem contribuir para o desenvolvimento
Entre os fatores ambientais que podem contribuir para o desenvolvimento da hiperatividade estão crises familiares, maus tratos, complicações no parto, tabagismo durante a gravidez e alterações metabólicas ou hormonais. A compreensão desses fatores ajuda famílias e educadores a identificarem possíveis causas e a buscarem intervenções apropriadas desde cedo.
A genética também desempenha papel importante. Estudos indicam que crianças com histórico familiar de TDAH ou hiperatividade têm maior probabilidade de desenvolver a condição. No entanto, a presença de fatores genéticos não determina sozinha o desenvolvimento do transtorno, pois o ambiente e as experiências vividas pela criança também exercem influência significativa.
Reconhecendo os principais sintomas
Os sintomas da hiperatividade são geralmente perceptíveis no comportamento da criança. Crianças hiperativas têm dificuldade em ficar paradas, mexem constantemente as mãos e os pés, retiram objetos do lugar e muitas vezes correm e pulam em ambientes inadequados, como a sala de aula. Essa energia excessiva pode ser confundida com indisciplina, mas difere significativamente em sua origem e persistência.
A tagarelice é comum, com a criança verbalizando constantemente seus pensamentos e sentimentos, muitas vezes interrompendo conversas e respondendo precipitadamente. Essa característica não representa apenas falta de educação, mas sim uma dificuldade real em controlar impulsos verbais e aguardar sua vez de falar.
Educadores do Colégio Anglo Itapetininga, observam essa manifestação: “Quando percebemos que uma criança apresenta agitação constante em diferentes contextos e isso prejudica seu aprendizado, é fundamental orientar a família a buscar avaliação profissional para entender melhor o que está acontecendo.”
Crianças hiperativas frequentemente demonstram ansiedade por não conseguirem esperar sua vez, tornando-se impulsivas e, às vezes, agressivas quando frustradas. A impulsividade se manifesta em ações sem reflexão prévia, como pegar objetos sem pedir, fazer comentários inadequados ou se envolver em situações de risco sem considerar as consequências.
Impactos no aprendizado e no sono
A incapacidade de manter a concentração prejudica o processo de ensino-aprendizagem, fazendo com que essas crianças tenham desempenho escolar abaixo do esperado. Qualquer pequena distração pode desviar a atenção da criança, dificultando a realização de tarefas e atividades. Essa facilidade de distração não é intencional, mas resultado de dificuldades neurológicas em filtrar estímulos e manter o foco.
A agitação constante pode levar a dificuldades para adormecer e manter o sono, resultando em noites tumultuadas e cansaço durante o dia. Problemas de sono agravam ainda mais os sintomas diurnos, criando um ciclo prejudicial onde a falta de descanso adequado aumenta a hiperatividade, que por sua vez dificulta ainda mais o sono.
Durante o período escolar, crianças com sono inadequado apresentam maior irritabilidade, dificuldade de concentração e comportamentos mais impulsivos. Professores frequentemente relatam que essas crianças parecem cansadas, mas ao mesmo tempo incapazes de se acalmar e descansar.
Abordagens de tratamento multidisciplinar
O tratamento da hiperatividade infantil requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais como médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e, em alguns casos, fonoaudiólogos e neuropediatras. O processo começa com um diagnóstico precoce, que envolve consultar professores e observar o comportamento da criança em diferentes ambientes. Uma avaliação detalhada por um especialista é necessária para confirmar o diagnóstico e descartar outras condições.
A psicoterapia ajuda a criança a compreender e lidar com suas dificuldades, promovendo mudanças comportamentais positivas. Técnicas de relaxamento e a criação de uma rotina estruturada podem auxiliar na redução da agitação. O trabalho terapêutico também pode incluir estratégias para melhorar o autocontrole, desenvolver habilidades sociais e fortalecer a autoestima, frequentemente abalada pelos desafios enfrentados.
Adaptar métodos de ensino e propor tarefas curtas e envolventes pode ajudar a manter a criança focada e motivada. Professores que compreendem a hiperatividade conseguem implementar estratégias pedagógicas eficazes, como dividir atividades em etapas menores, permitir pausas para movimento e oferecer reforço positivo frequente.
Quando a medicação é necessária
Em casos mais graves, o uso de medicamentos pode ser necessário para melhorar a concentração e reduzir a agitação. Esses medicamentos devem ser prescritos e monitorados por um neuropediatra, que avaliará cuidadosamente os benefícios e possíveis efeitos colaterais. A medicação não é a única solução, mas pode ser um componente importante do tratamento quando combinada com terapia e suporte educacional.
A decisão sobre medicação deve ser tomada em conjunto pela família e pela equipe médica, considerando a gravidade dos sintomas, o impacto na qualidade de vida da criança e a resposta a outras intervenções. Muitas crianças se beneficiam significativamente da medicação, apresentando melhora na capacidade de concentração, redução da impulsividade e melhor controle comportamental.
O papel fundamental da família
O apoio e a compreensão dos pais e cuidadores são fundamentais. É importante acolher a criança, proporcionar um ambiente tranquilo e estimulante e incentivá-la a praticar atividades que promovam a concentração e o autocontrole. Além do tratamento profissional, algumas ações podem ser desenvolvidas pelos familiares para ajudar.
Interagir com animais de estimação pode ajudar a criança a se acalmar e controlar a ansiedade. Estudos demonstram que o contato com animais reduz níveis de estresse e promove sentimentos de calma e bem-estar. Brincadeiras que exigem concentração e foco, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeças e atividades artesanais, podem ser benéficas para desenvolver habilidades de atenção.
Ler regularmente pode ajudar a desenvolver a capacidade de concentração. Começar com livros curtos e ilustrados, aumentando gradualmente a complexidade, permite que a criança pratique manter o foco por períodos cada vez mais longos. Práticas como a meditação e exercícios de respiração antes de dormir podem melhorar a qualidade do sono.
Estrutura e contato com a natureza
Uma rotina bem definida proporciona segurança e ajuda a criança a entender o que é esperado dela. Horários regulares para acordar, fazer refeições, estudar, brincar e dormir criam previsibilidade e reduzem a ansiedade. Crianças hiperativas se beneficiam especialmente dessa estrutura, pois ela compensa parcialmente as dificuldades de organização e planejamento características da condição.
Atividades ao ar livre podem trazer tranquilidade e reduzir a agitação. O contato com a natureza oferece um ambiente rico em estímulos sensoriais naturais, que tendem a ser menos sobrecarregadores do que ambientes urbanos. Caminhadas, brincadeiras em parques e atividades como jardinagem proporcionam oportunidades para gastar energia de forma saudável enquanto desenvolvem conexão com o ambiente natural.
A prática regular de atividades físicas é especialmente importante para crianças hiperativas. Esportes, dança, artes marciais e outras modalidades ajudam a canalizar a energia excessiva, melhoram a qualidade do sono e promovem o desenvolvimento de habilidades de autocontrole e disciplina.
A compreensão e o tratamento adequado da hiperatividade infantil são essenciais para garantir que essas crianças possam desenvolver seu pleno potencial. Com apoio multidisciplinar, estratégias adequadas em casa e na escola, e a paciência necessária para respeitar o ritmo de cada criança, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida das crianças hiperativas e de suas famílias. O diagnóstico precoce e a intervenção apropriada fazem toda a diferença no desenvolvimento futuro dessas crianças.
Para saber mais sobre o tema “crianças hiperativas”, acesse https://www.psicologo.com.br/blog/hiperatividade-infantil-agitacao-ou-indisciplina/ e https://conteudo.zenklub.com.br/blog/para-voce/hiperatividade/
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