10 de julho de 2026

Remédio em crianças: cuidados e riscos

Dar um remédio a uma criança pode parecer uma medida simples diante de febre, dor, tosse ou mal-estar, mas a decisão exige cuidado. O organismo infantil ainda está em desenvolvimento e pode reagir de forma diferente ao mesmo medicamento usado por um adulto. Dose errada, indicação inadequada, mistura de produtos ou uso sem avaliação médica podem causar efeitos adversos, intoxicações e atrasar o diagnóstico de problemas de saúde.

A orientação de um pediatra é o ponto de partida para qualquer tratamento medicamentoso na infância. Mesmo remédios considerados comuns, como antitérmicos, analgésicos, anti-inflamatórios e xaropes, podem ter restrições conforme a idade, o peso, o histórico de saúde e os sintomas apresentados pela criança. Por isso, a administração deve seguir prescrição, dose correta, intervalo definido e observação atenta de possíveis reações.

Por que a criança exige cuidado específico

Crianças não devem ser tratadas como adultos em tamanho menor. O metabolismo, o funcionamento do fígado e dos rins, a composição corporal e a capacidade de eliminar substâncias variam de acordo com a idade. Por isso, a dose de um medicamento infantil costuma ser calculada com base no peso e na condição clínica, e não apenas na aparência da criança ou na intensidade do sintoma.

Esse cuidado vale especialmente para bebês e crianças pequenas, faixa etária em que algumas substâncias podem ter contraindicações importantes. Medicamentos indicados para adultos ou para crianças mais velhas não devem ser adaptados sem prescrição. Dividir comprimidos, usar sobras de tratamentos anteriores ou repetir uma receita antiga são práticas que aumentam o risco de erro.

Educadores do Colégio Anglo Itapetininga, de Itapetininga (SP), observam que a informação correta ajuda a família a agir com mais segurança: “Quando os responsáveis entendem que cada remédio tem dose, intervalo e indicação próprios, fica mais fácil evitar decisões apressadas em situações de febre, dor ou desconforto”.

Os riscos da automedicação

A automedicação é uma das situações mais preocupantes no uso de remédio em crianças. Ela ocorre quando pais ou responsáveis oferecem medicamentos por conta própria, por recomendação de parentes, amigos, balconistas ou com base em experiências anteriores. O problema é que sintomas semelhantes podem ter causas diferentes.

Uma febre pode estar associada a virose, infecção bacteriana, reação inflamatória ou outras condições. Ao administrar um medicamento sem avaliação, o adulto pode aliviar temporariamente o sintoma e dar a impressão de melhora, enquanto a causa continua sem investigação. Isso pode atrasar a procura por atendimento e dificultar o diagnóstico.

Outro risco é a interação entre medicamentos. Uma criança que já usa algum remédio para alergia, asma, epilepsia, transtorno de atenção ou outra condição pode ter reações inesperadas se receber uma substância incompatível. Até produtos de venda livre podem causar efeitos indesejáveis quando usados em dose errada ou combinados de forma inadequada.

Reações adversas e sinais de alerta

Após a administração de qualquer medicamento, a criança deve ser observada. Reações adversas podem aparecer logo depois do uso ou algumas horas mais tarde. Vermelhidão na pele, coceira, manchas, inchaço em lábios ou olhos, vômitos, diarreia, sonolência excessiva, agitação incomum, falta de ar e chiado no peito são sinais que exigem atenção.

Quando houver suspeita de alergia ou reação importante, o uso deve ser interrompido até orientação profissional, e a família deve buscar atendimento médico. Registrar o nome do medicamento, a dose, o horário e os sintomas observados ajuda o profissional de saúde a avaliar o caso e indicar alternativas seguras.

A intoxicação também é um risco relevante. Ela pode ocorrer quando a dose é maior do que a indicada, quando o intervalo entre as doses é reduzido ou quando a criança ingere o produto acidentalmente. Em caso de suspeita, a família deve procurar atendimento de urgência ou acionar um serviço de orientação toxicológica.

Antibióticos pedem atenção redobrada

O uso de antibióticos merece cuidado especial. Eles são indicados para infecções bacterianas e não devem ser usados para tratar gripes, resfriados ou outras infecções virais. Quando utilizados sem necessidade, em dose incorreta ou por tempo inadequado, podem contribuir para a resistência bacteriana, situação em que os microrganismos deixam de responder aos tratamentos disponíveis.

Quando o antibiótico é prescrito, a família deve seguir dose, horários e duração do tratamento. Interromper o uso antes do prazo indicado, mesmo com melhora dos sintomas, pode comprometer a eficácia do tratamento e favorecer a permanência de bactérias resistentes. Também não se deve guardar sobra de antibiótico para uso futuro nem oferecer o medicamento a outra pessoa.

Esse cuidado exige organização. Horários devem ser anotados, frascos precisam ser identificados e instrumentos dosadores devem ser usados corretamente. Colheres domésticas não são recomendadas para medir medicamentos líquidos, porque não garantem volume preciso.

Armazenamento e rotina segura em casa

A segurança também depende da forma como os medicamentos são guardados. Remédios devem ficar fora do alcance das crianças, em local fechado, seco e protegido de calor excessivo. Frascos coloridos, comprimidos parecidos com balas e embalagens de fácil acesso aumentam o risco de ingestão acidental.

A chamada farmacinha infantil deve ser simples e composta apenas por itens orientados pelo pediatra. Antitérmicos, analgésicos, antialérgicos ou soluções de reidratação oral podem fazer parte da rotina de algumas famílias, mas sempre com indicação adequada. Também é importante verificar prazo de validade, aspecto do produto e condições de armazenamento.

“Em casa e na escola, a informação sobre medicamentos precisa ser clara: quem administra, qual foi a orientação médica, qual dose foi indicada e em que horário o remédio deve ser usado”, destacam os educadores do Colégio Anglo Itapetininga.

Em ambiente escolar, a administração de medicamentos deve seguir regras definidas pela instituição e depender de autorização dos responsáveis, com prescrição quando exigida. Essa organização evita falhas de comunicação e reduz o risco de dose duplicada, troca de frascos ou uso fora do horário.

Quando procurar orientação médica

A família deve procurar atendimento quando a criança apresenta febre persistente, dificuldade para respirar, sonolência intensa, desidratação, dor forte, piora rápida do estado geral ou qualquer reação após o uso de medicamento. Bebês, crianças com doenças crônicas e casos de uso contínuo de remédios exigem cuidado ainda maior.

O uso seguro de remédio na infância depende de prescrição adequada, dose correta, observação de reações e armazenamento responsável. Na rotina familiar, essas medidas ajudam a reduzir acidentes, evitam tratamentos inadequados e dão mais segurança nas decisões tomadas diante de sintomas comuns da infância.

Para saber mais sobre o assunto, visite:
https://oglobo.globo.com/saude/saiba-quais-sao-os-riscos-de-usar-remedios-em-criancas-sem-orientacao-pediatrica-5106276

https://brasilescola.uol.com.br/saude-na-escola/perigos-da-automedicacao-em-criancas.htm